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Classificação Científica

Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Passeriformes
Subordem: Tyranni
Infraordem: Tyrannides
 Wetmore & Miller, 1926
Parvordem: Tyrannida
Família: Rhynchocyclidae
 Berlepsch, 1907
Subfamília: Pipromorphinae
 Wolters, 1977
Espécie: P. eximius

Nome Científico

Phylloscartes eximius
(Temminck, 1822)

Nome em Inglês

Southern Bristle-Tyrant


Estado de Conservação

(IUCN 3.1)
Quase Ameaçada

Fotos Sons

Barbudinho

O barbudinho (Phylloscartes eximius) é um passeriforme pequeno que mede cerca de 12 centímetros e pesa aproximadamente 8 gramas. A espécie pertence à família Rhynchocyclidae de acordo com o Comite Brasileiro de Registros Ornitológicos (CBRO; Piacentini et al 2015) ou à família Tyrannidae de acordo com o South American Classification Committee (SAAC). Alguns autores (e.g. Sick 1997; Graves 1998; Fitzpatrick 2004; Ridgley & Tudor 2004; Rensem et al. 2014) consideram o barbudinho como pertencente ao gênero Pogonotriccus. Segundo esses autores, as espécies de Pogonotriccus podem ser distinguidas de Phylloscartes principalmente por apresentarem a postura do corpo ereta, com a cauda posicionada verticalmente em relação ao eixo do corpo. Além disso, as aves do gênero Pogonotriccus possuem diferenças no comportamento de forrageio, permanecendo pousadas por períodos de tempo maiores antes de efetuarem manobras aéreas para capturar suas presas. Para os adeptos desse sistema de classificação, o gênero Pogonotriccus compreende cinco espécies andinas, uma espécie distribuída nos Tepuis Venezuelanos e em parte do extremo norte do Brasil (Pogonotriccus chapmani) e uma endêmica da Mata Atlântica - Pogonotriccus eximius (Ridgely & Tudor 2004). No entanto, estudos realizados com dados morfológicos (Traylor 1977) e moleculares (Tello et al. 2009) indicam a relação próxima entre as espécies de Phylloscartes, de forma que esses autores não veem motivos para reconhecer dentro do gênero um grupo distinto. Dessa maneira, tanto o sistema de classificação adotado pelo CBRO quanto pelo SACC não consideram o gênero Pogonotriccus um gênero válido.

O barbudinho ocorre apenas na Mata Atlântica e está ameaçado de extinção em alguns estados brasileiros, além de ser considerado “quase ameaçado”. A espécie ainda é relativamente pouco conhecida. Um estudo mais detalhado sobre o barbudinho, realizado no Parque Estadual da Cantareira, no estado de São Paulo, estimou sua densidade e avaliou sua preferência de microhabitat (Tonetti & Pizo 2016). Esse estudo constatou que quando não estão associados a bandos mistos, os indivíduos têm preferência por florestas próximas a riachos e pequenos lagos. Além disso, o barbudinho é encontrado em densidades baixas quando comparado a outros passeriformes insetívoros e endêmicos da Mata Atlântica. A divulgação sobre esse estudo pode ser acessada nesse link, nesse nesse link e também aqui.

Nome Científico

Seu nome científico significa: do (grego) phullon = folha; e de skairö = pular, dançar; e do (latim) eximius, eximere = distinto, selecionado. ⇒ Pula-folhas distinto ou dançarino distinto.

Ameaças

As principais ameaças ao barbudinho são a perda e fragmentação da Mata Atlântica. Além disso, o aquecimento global será uma ameaça futura adicional à espécie, assim como para várias outras aves da Mata Atlântica.

Características

Com cerca de 12 centímetros e oito gramas, o barbudinho é considerado, assim como as demais espécies do gênero, um passeriforme de pequeno porte. A espécie possui um padrão de coloração na cabeça muito característico e que facilita a identificação. Apresenta o dorso verde-oliva e o ventre amarelo. Vocaliza intensamente enquanto forrageia. Apesar de ser uma ave pequena, o seu canto, que consiste de uma série de notas curtas seguidas umas das outras em curto intervalo de tempo, pode ser ouvido a longas distâncias. Um estudo recente (Tonetti & Pizo 2016) demonstrou que os indivíduos podem ser detectados a uma distância de até 90 metros na floresta densa.

Alimentação

O barbudinho alimenta-se principalmente de pequenos insetos que captura por meio de manobras aéreas no estrato médio da floresta.

Reprodução

Sabe-se relativamente pouco a respeito da reprodução do barbudinho. Um ninho da espécie encontrado em 9 de agosto de 2008, ainda nos estágios finais de construção, foi descrito por Lombardi et al (2009) no sul do estado de Minas Gerais. Após essa descrição, TONETII et al (2017) descreveram um ninho completo da espécie encontrado em 6 de julho de 2014 na Serra da Cantareira, SP. Em 26 de agosto de 2014 foi encontrado um ninhego e um ovo nesse ninho. O artigo que descreve o ninho na Serra da Cantareira é o primeiro a descrever o ovo da espécie, até então desconhecido por pesquisadores.

O ninho do barbudinho é construído com musgo e teias de aranha. É um ninho fechado com uma pequena abertura na porção superior.

Hábitos

A espécie é encontrada principalmente sozinha ou aos pares no estrato médio e alto da floresta, podendo se associar a bandos mistos. O barbudinho vocaliza intensamente enquanto forrageia, sendo detectado com relativa facilidade. Quando os indivíduos não estão associados a bandos mistos, forrageiam principalmente próximos a rios e lagos (Tonetti & Pizo 2016).

Distribuição Geográfica

O barbudinho está distribuído desde a região centro-sul do estado de Minas Gerais, ocorrendo até o norte do Rio Grande do Sul e partes do Paraguai e Argentina, na província de Misiones. No sudeste do Brasil, o barbudinho ocorre principalmente em áreas montanhosas, sendo encontrado acima dos 800 metros de altitude. Já na porção sul e interior de sua distribuição, a espécie ocorre em áreas de relevo mais ameno, chegando a ser encontrado em áreas a 100 metros acima do nível do mar. Apesar da grande extensão de ocorrência, o barbudinho é encontrado apenas de forma pontual por essa vasta região, sendo considerado uma espécie rara em boa parte de sua distribuição.

A espécie foi primeiramente descrita pelo naturalista Coenraad Temminck no ano de 1882. Temminck realizou a descrição baseado em um indivíduo coletado pelo naturalista Johann Naterer em 1820 na localidade “Ypanema, Brazil”, situada no atual município de Iperó - SP. Tal localidade, conhecida também como “Fazenda Ipanema”, abrigava à época a “Real Fábrica de Ferro de São João de Ipanema”. Atualmente, apesar de ainda existir um grande remanescente florestal nas proximidades da localidade-tipo (protegida por uma Unidade de Conservação, a Floresta Nacional de Ipanema), a espécie não é mais registrada na região. Além de já ter ocorrido na FLONA de Ipanema, no passado, a espécie apresentava uma vasta distribuição no estado de São Paulo. No entanto, atualmente, nesse mesmo estado a espécie é encontrada apenas na Serra da Cantareira, o que demonstra a redução em sua área de distribuição sofrida nas últimas décadas e reforça a importância do Parque Estadual da Cantareira em conservar a espécie.

Referências

Galeria de Fotos